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Cuba, a sucumbência do socialismo
“Cuba representa a síntese do que o socialismo pode realizar”. Ao comentar essas palavras de Danielle Miterrand, Jean François Revel em seu livro “A Grande Parada” complementa dizendo que essa afirmação constitui “a mais arrasadora condenação ao comunismo jamais proferida”. Quando se observa a Cuba do pós guerra fria, agora sem a ajuda da URSS(União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), nota-se quão veraz é essa afirmação.
A começar pela economia. Nos tempos áureos da Guerra Fria, Cuba recebia vultosas quantias da já citada URSS. No total foram duzentos bilhões de dólares, que ajudaram a mascarar a estulta política do ditador Fidel Castro. Enquanto a matriz comunista financiava, tudo ia muito bem aos olhos do mundo. A Reforma agrária, assim como a nacionalização de refinarias, bancos, indústrias e empresas, tinha “seiva monetária” para se nutrir. O caos começou após o fim da União Soviética. O fidelismo até que tentou suprimir de imediato os efeitos da glasnost e perestroika russas, aumentando a retificação político-econômica, mas não conseguiu evitar o início da implosão do socialismo em seu país. Falidas, indústrias estatais fecharam, houve o fim do monopólio do governo no comércio exterior e uma abertura econômica nas políticas castristas. Medindo as proporções da crise instalada, o PIB caiu 34,3% entre 1989 e 1994. A ditadura se viu compelida a abrir o mercado. Parece que Castro entendeu a mensagem de Marx no Manifesto Comunista: “Sob pena de morte, o capitalismo obriga todas as nações a adotarem seu modo de produção”. Mas Fidel não admite a abertura econômica e diz: “Queremos o capital, não o capitalismo”. Só pra se ter uma idéia, existem hoje em Cuba 600 escritórios de representação de multinacionais. Essa abertura fica ainda mais clara quando se lê o artigo 8º da Nova lei de investimentos cubana, que fala: “a livre transferência ao exterior, em moeda livremente conversível”, tratando da desobstrução do fluxo de investimentos.
Porém os efeitos colaterais da prática capitalista irromperam em Cuba, que hoje conta com concentração de renda e desemprego, fatos impensáveis na ética socialista. Vale destacar que a atual estagnação do país em termos econômicos não é conseqüência do embargo imposto pelos EUA. Esse argumento apenas justifica e tenta escamotear a astenia das ações do governo cubano nesse campo, encobrindo seus erros. Exemplo disso é o enorme potencial turístico, reprimido pelos desmandos da ditadura. A prova cabal é a resolução número 10 do Ministério do Turismo cubano, que regula as relações entre os 100.000 cubanos que trabalham na área turística e os estrangeiros que visitam o país. Entre outras medidas, o ato proíbe a aceitação de presentes de turistas e a emissão de opinião perante os estrangeiros que denigra a imagem do país. Outro artigo trata de presentes recebidos de turistas, que devem ser declarados ao governo. Inclusive chega-se à estapafúrdia recomendação de que se for máquina fotográfica esta será de uso do Ministério do Turismo. Medidas como essa ancoram o desenvolvimento econômico baseado na mais alvissareira atividade do país.
Com todos esses fatos rutila a constatação de que o comunismo em Cuba hoje nada mais é do que a desfiguração da doutrina marxista vergada sob a incompetência e a incúria administrativa de Fidel Castro. Afinal, numa sociedade eqüitativa e isonômica (como previa o comunismo) não há uma classe dirigente rica e uma massa proletária pobre, como acontece no país. Não há cerceamento do direito de locomoção, ceifado em Cuba pela proibição ao povo de freqüentar praias turísticas, de sair de seu próprio país. Se lá fosse realmente um lugar bom, seria necessária essa proibição?Onde está o governo do proletariado?!Onde está o povo no poder?!Onde estão os interesses do povo sendo defendidos?!Não restam dúvidas de que Cuba representa a sucumbência do marxismo no mundo atual pelos interesses autocráticos de permanência no poder de seu líder.
Escrito por J.V Tepedino às 00h24
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